O cultivo do arroz é a principal actividade agrícola desta freguesia, sendo também responsável pelas belas paisagens que se vão transformando ao ritmo das estações do ano.
A cultura do arroz terá sido introduzida em Portugal no reinado de D. Dinis, no Baixo Mondego, na zona de Montemor-o-Velho, a partir de semente procedente da região de Sevilha.
Conhecido por “O Lavrador”, este rei governou em Portugal de 1279 a 1325.
Desenvolveu a agricultura, dando terras para cultivar a quem não as tinha (mas apenas se as trabalhassem) e por transformar zonas de pântanos em terras próprias para a agricultura.
No Inverno os campos encontram-se em repouso após mais uma época de colheitas.
À medida que as chuvas vão caindo, os campos vão-se transformando
num enorme espelho de água.
Em meados da Primavera tem início um novo ciclo de cultivo.
Em Abril preparam-se os terrenos.
As maquinas limpam as valas para poder drenar e irrigar os campos.
A descida das águas é um festim para a aves, alimentando-se de lagostins a pequenos peixes.
Em meados de Abril, inicio da gradagem dos campos.
A utilização de rodas de ferro oferece maior sustentação ao tractor e deixam menos rastos que as rodas de borracha.
Com a utilização de uma grade traseira remexem o terreno previamente alagado com água, para arrancar as ervas daninhas e nivelam o terreno deixando a superfície lisa e totalmente submersa.
Este processo também permite a formação de lama, ideal para receber o arroz préviamente germinado e facilitar assim o seu enraizamento, evitando que seja arrancado e deslocado pelas pequenas ondas formadas pelo vento.
Apesar de já se poder semear o arroz através de avião, a maioria dos agricultores da Borda do Campo opta por fazê-lo a pé, de barca ou de tractor. Para se poder guiar durante a sementeira, o agricultor divide o terreno em pequenos lotes, através da colocação de canas ao longo da sua propriedade.
Nos últimos dias de Abril decorre a sementeira do arroz. A azáfama no campo é muita e entre tractores e barcas, o arroz é lançado à água. Nesta zona do Baixo Mondego são várias as técnicas utilizadas para semear o arroz.
Semear a pé
Semear com bóia
Semear de barca ou com tractor
Tal como qualquer outro cultivo agrícola, também o arroz precisa de cuidados para um crescimento saudável e rentável. Em Junho, quando o arroz já tem alguma altura acima da água, é adubado a pé, de tractor ou de avião.
Em meados de Junho voltam os trabalhos ao campo. Nesta altura procede-se à monda do arroz. Antes do aparecimento de químicos específicos, a monda – eliminação de ervas daninhas – era feita à mão pelas mondadeiras. Actualmente é frequente ver-se meios aéreos a cumprir essa tarefa.
Monda a pé
Monda de tractor
Monda de avião
Para que os químicos produzam efeito, os campos devem ter pouca água. Nas grandes áreas os níveis das águas são controlados através de comportas, enquanto que nos pequenos canteiros é necessário bombeá-la.
Em Setembro chega a altura de ceifar o arroz. Em tempos o arroz era cortado à mão, mas actualmente essa prática apenas acontece para cortar algumas bordas que a ceifeira mecânica não consegue alcançar.
As palhas são retiradas do campo e armazenadas em forma de palheiros ou de fardos.
O arroz é levado para secar nas eiras ou em secadores mecânicos.
Para poder ser descascado, o moinho é o próximo destino do arroz. Finalmente pode ser consumido.
Com uma Tarara, separam-se os grãos de arroz inteiros da casca e dos grãos partidos.

E por fim o arroz chegou ao prato, com o tradicional arroz de Carneiro
E para sobremesa, um delicioso arroz doce com passas e pinhões.
Pode encontrar mais fotos em:

























Parabens aos autores do blog… Está um trabalho simplesmente FANTÁSTICO… Obrigada por manterem o nome da nossa terra… Beijinho****
Olá Lúcia,
Obrigado,
O http://www.bordadocampo.com é um espaço dedicado a todos os Bordacampenses cá residentes, e também àqueles que por vários motivos foram obrigados a ir viver para longe, os quais diminuem as saudades vendo e revendo fotos, notícias e outros artigos que divulgamos.
São os comentários positivos e construtivos que vamos recebendo que nos dão força e inspiração para continuar.
O nosso muito obrigado,
Inês Pinto e Sílvio Gaspar
Estão de parabens.
Quem diria que a minha santa térrinha tinha um site, ainda para mais com esta qualidade, realmente é de louvar, adorei a reportagem ao tio Caeiro, parabens, continuem
Todos vocês estão de parabéns!!
Foi com muita alegria que descobri o vosso site! E adorei! Tenho estado a descobri-lo a pouco e pouco e posso dizer que aprendi imenso sobre esta freguesia, nomeadamente sobre o Porto Godinho, terra que trago no meu coração. Gostei bastante da “foto-reportagem” sobre o cultivo do arroz. Tenho algumas fotos no site olhares sobre o Porto Godinho, em especial os campos de arroz e as suas barcas. Se me permitirem, gostaria de numa próxima inserção de foto, mencionar o vosso site, para poder partilhar com mais pessoas as belas aldeias que formam a freguesia da Borda do Campo. Muitos parabéns e continuem com o vosso bom trabalho.